"Aqui ninguém é louco. Ou então, todos o são." (Guimaraes Rosa, Primeiras Estórias)

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Brincando com poetas e poesias

BRIANCANDO COM POETAS E POESIA
(MUITOS POETAS EM UMA SÓ POESIA)

Eu não tenho mais minhas antigas MORAES
Nem minha poesia agora parece ROSA
Eu não escrevo para dar BANDEIRA
Eu não crio verso copiando de outra PESSOA!

Quando faço um poema sujo
Eu OLAVO de puros sentimentos
Não que eu CASI meus versos
Mas sempre MIRO bem as palavras
ABREU seus pensamentos?

Minha poesia é como um MACHADO
CUNHA toda minha experiência,
Minhas virtudes, erros e memória.
O TOM que tenho agora
É a mistura completa de tudo que leio

Miro o céu e canto AUGUSTO DOS ANJOS
Procuro algum enigma entre arestas
Entre os MATOS e as florestas
Recolho alegremente simples RAMOS
CASTRO assim, toda minha escuridão sentimental
Bato em retirada dessa vida cotidiana

Aqui, nesse outro mundo
Crio novos amigos REIS
Navego entre CAMPOS de imaginação
Brinco com poetas e poesia
Invento versos e faço primazias!

(David – 14/08/08)

sábado, 20 de setembro de 2008

ILUSÕES DO TEMPO

Mensageiros do cabo das tormentas
Candidatos a magoas e ilusões
Na escada de ferro
Descemos metricamente cada degrau

O peito arde em fogo
A brasa queima os pensamentos
A maré da eternidade
Rouba a inoscencia da criatura

Jovens venham ao mundo!
Roubem suas misérias
Pisem em suas amarguras
Declamem seus sentimentos

O fogo do inferno
É o pensamento intorpecido
A honestidade do homem
É breve e passageira
Até proclamarmos tal palavra

Nasce uma criatura
Peça fundamental
Em nossa mecanica sociedade
Herói da barbárie
Ou cúmplice do desconhecimento?

Desejo as crianças
Uma forte esperança
Que transforma
No coração do jovem
Em objetivo de vida

No livro o escritor
Encaixa suas frases
Forma o texto
Joga com as palavras
Na vida o pastor
Leva as ovelhas
Apanha os raros
Para trabalho fundamental

Céu, estrela, constelação
Os irmãos a mesa
Transformam a nobre ceia
Em recado certeiro ao homem

Encerro os punhos
E corro em disparada
Só para adiante
Parar um pouco
Descançar e recomeçar
Tudo de novo

Os amigos todos queridos
Resolvem brincar mais uma vez
Jogam embreagados
O que tem que ser jogado

Sopro eu então a vela
E deixo tudo as escuras
Na casa do conhecimento
Ninguém mais enxerga

Veja então com a intuição
Se isso nos for capaz!

O quadro da vida
Se faz pela aquarela
Dos sentimentos
Uns misturados a outros
O branco com o vermelho
Formam o laranja
O azul com amarelo
Formam o verde
A fé com superstição
Formam a fantasia
O egoísmo e a falsa nobreza
Formam a hipocresia
A fome e a desesperança
Formam a miséria
A inquietação e o medo
Formam a timidez
O branco com o negro
Nasce o mulato
Deus e o Diabo
Prega o católico

Olho agora por outra vitrine
E surpreendentimente vejo-me
Os olhos refletidos de antes
Não passam mais aquela curiosidade
Já se encontram menos brilhante
Como se estivessem
Acostumando-se a vida
De rotina em rotina
A curiosidade perde o encanto
E a realidade espanta o brilho
E vivo, vivo por viver
Creio na vida e no homem
Creio em Deus e sua bondade
Creio na instrução divina
Rogo aos fracos (como eu)
A se espelharem nos que erraram
E a reconhecer o que aprende
Não se esquecendo de uma conversa edificante
E não perder o brilho da curiosidade
O encanto da fé
E a busca infinita pelo amor!

(David - 24/07/08)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

No aconchego dos lares

A massa cardíaca, pulso compassado micrométricamete, a nutrir endosmóticamente as células, micro geradores de energia, ambos ao comando do estímulo maior, o maioral da razão, o impulsionador de nossos atos, o gerente de nossos pensamentos, o administrador de nosso destino, o artista que esculpe nossa trilha, a massa neural central que nos governa o livre arbítrio. O conjunto de nosso viver, o cabedal da vida.
Quantos de nós paramos nossos atos diários para perceber as batidas sublimes do centro das nossas emoções? Quantos de nós nos compassamos juntamente com o pulsar cardíaco imaginando os volumes de plasmas nutritivos inundando nossos tecidos, nossas células, nos fazendo à vida? Quantos de nós deixamos de lado, por um segundo que seja, os dessabores dos labores cotidianos para tentarmos imaginar como se faz um pensamento, uma corrente elétrica nervosa que nós faz pensar? Cá estamos, diariamente vagando daqui pra lá e de lá pra cá e normalmente não encontramos tempo para nos observarmos, para tentar perceber a realeza que é o fato de inspirarmos ar rico em oxigênio, para percebermos como se dá essa troca natural de gases no sangue, o caminho que vai percorrer até chegar à organela que lhe é compatível a produção de energia. Oh, como é lindo, como somos perfeitos, como somos equilibrados fisiológicamente. Se o somos assim equacionados na formação orgânica, o que nos faz probos da psiquê, o que nos faz meros depressivos que somos, uma vez que a verdadeira felicidade e o equilíbrio mental ainda são utopias a ser desvendadas?
Temos como relacinar tudo isso à conquista da perfeição no geral com o fato da unicidade?
Paremos um dia, no aconchego dos lares, na paz de nossas confotadas camas e imaginemos, reflitamos a respeito, e quem sabe conseguiremos naquele momento, nos olhando intensamente, no fundo de nosso ser, de nossos atos, nos analisando com sinceridade, nos tornarmos equilibrados e felizes verdadeiramente, mesmo que por segundos.
João

sábado, 23 de agosto de 2008

Marrocos Marroquinos

Marrocos Marroquinos
Atletas Marroquinos
Que correm conta o vento em um calor escaldante

Marrocos Marroquinos
Corredores de Maratonas
Contra tudo e contra todos sempre correm contra o tempo

Marrocos Marroquinos
Não são marrecos marroquinos
São vencedores, são de glória
São dignos atletas olímpicos

Marrocos Marroquinos
"Digantes" Marroquinos
Correm contra o relógio
Os 42.195 metros

Marrocos Marroquinos
Apenas são vencidos
Quando aparece um intruso Queniano
E nos tira a medalha de ouro

Marrocos Marroquinos
Apesar de isto tudo
Levo comigo minha Prata
Derrota ingrata mas toda Prata é Prata

Marrocos Marroquinos
Agora estamos no pódium olímpico
Em segundo lugar, é verdade
Mas com o orgulho de ser
Um Marrocos Marroquino!!!

23/08/2008 - Após o grande feito de nosso Marroquino Jaouad Gharib que conquistou a prata na maratona das Olimpíadas de Pequim!!!

Marcelinho

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Uma Borboleta Japonesa Que Voou ao Brasil sem ser Notada


Suas lindas asas
Bate a borboleta
Na forma do amor

Livre no ar
Aparenta uma nova cor
Cor de vida

Meu coração bate
Veloz como a borboleta
Coração sem dor!

Só a manhã
É bela por sua luz
Suave sol

Flutuo em paz
Como as gotas que jaz
Molhando a terra

Sol poente
Novo sol nascente
Borboleta vem

Vem e atravessa
Esse imenso oceano
Ó claras águas!

Claro é viver
Como ar puro de manhã
Suave brisa...


Vôo a borboleta
Parou aqui! Nessa roseta
Linda! Toda branca

Borboleta e flor
Vermelha no branco
Calor da manhã

A brisa é suave
A borboleta foi-se
Para lá do horizonte

Passou e deixou
Sua rima Branco-Vermelha
De esperança

Iluminou
O Verde-Amarelo
Azul e Branco

Borboleta
Japonesa voou ao Brasil
Sem (ao menos) ser notada!

(07/08 David - Homenagem ao Haikai)

O dono da rua

Tinhas as mãos trêmulas
Era velho e incapaz de falar
Sofria as dores do osso
Vência as deficiências mentais
Era velho e tolo de um só olho
Mas era o dono da rua

A rua não precisava de dono
Nem sua vida de aptidão
Mas, sem feito algum
O velho era o dono da rua

A rua era estreita e suja
Não tinha saída a lugar nenhum
Poucos sabiam como nela entrar

O velho ali nasceu
E por milagre ali iria morrer
Pois ele era o dono da rua

A rua não tinha nenhuma importância
Por isso, a rua não tinha nome
Não tinha asfalto
Nem moradores
A não ser o dono da rua

A rua era só!
Diante a conexão do mundo
Não havia praça
Nem comércio
A rua só tinha seu dono

Alguns dizem que o velho
Da rua nunca saiu
Tinha apego tão forte
Que talvez outra rua
Jamais viu!

Ele era o dono da rua
E pronto!
Para ele nada mais importava
Do que ser dono daquele lugar

A rua era velha e suja
Não tinha calçada
Nem postura
Era escura como o velho
De um olho só!

Alguns dizem que a rua
Era o espelho de seu dono
Não era importante a ninguém
A não ser para ele mesmo
O dono da rua

Mas um dia ele se foi
E a rua também
Pois sem dono
A rua não servia a ninguém!

(David - Um dia em 2008)

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Apresento o “Haikai” Senhor do prazer em sentir e depois escrever

Uma gota de luz e só!
Foi-se as trevas como pó
E só, eu a falar...

Pare e ouça
A voz narrante do trovão
Que voz errante!

Pare e veja
As nuvens de algodão
Suaves a voar...

Céu e solidão
Fogo ardente de paixão
E a moça passou...

Passou ela sem mim
Vou buscá-la agora
Corro, corro, ufa!

Bela morena
Cabelo esparramado
Jogados ao vento

Luz ardente de sol
Brilham só, em seus olhos
Fogo da paixão

Puxa! Eu sem ela
Feito aquarela
Sou pura confusão

Vem para mim
Mostre-me porque veio
Centeio de meu coração

Sou poeta e só!
Não aprendi a ouvir
Por isso escrevo

Escrever é como
Fome. Daí como versos
Palavra por palavra

Sinto sua falta
Sem você agora
Tudo me falta
Vivo preso
Como gota cristalina
Em meio a oceano

Miséria e só
Sem te ver ao menos
Sem te roçar em pelos

Fogo e vento
É intento amigo
Eu sou o fogo
E você é meu vento
Meu alimento!

Sacio-me
Das palavras e de você
Repito o que gosto

De ti, toda
Minha inspiração
E expiração também

Preto e branco
Gelado e calor
Como somos diferentes!

Ó! Obrigado Deus
Diferença é beleza
Puro prazer
Em procurar
Em ti o que a mim
É o desconhecido!

(David – 08/08)