"Aqui ninguém é louco. Ou então, todos o são." (Guimaraes Rosa, Primeiras Estórias)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Eis o meu caminho

De coracao renovado, apos tempo de reflexao, me sinto leve como o vento, me sinto livre, me sinto capaz. Liberto de mim mesmo. Sabido do caminho a trilhar, sem medo de repressao, pronto a lutar, a me perdoar.
O coracao se abre ao novo caminho. 2010 sera um ano diferente assim como 10 anos atras o foi. Renovacao, reconstrucao, decisao.

Aos meus que muito amo, eu realmente os amo, queridos amigos...espiritos amigos que a seculos caminham ao meu lado. Hoje reconheco em voces amigos queridos, mas no entanto, nao podemos esquecer que temos nossas indidualidades, nossas trilhas. Eis a minha.

Um grande beijo a todos.

Joao Tozzi 25/01/2010.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Um novo ano: Ventos e mudanças

O que quero fazer com as palavras? Talvez penso em fazer obras! Mas, obras literárias já não é meu foco. Não que não deseje isso. Sim, desejo! O problema é que em mim não floresceu essa capacidade, esse entusiasmo, essa intuição, a própria sabedoria das letras. Então me arrisco em poemas cheios de sentimentos, porém sem ordem, sem rima, sem vocabulário, com pouco conhecimento gramatical. Sou um escritor sim, escrevo e demonstro sentimentos, mas minhas palavras, letras, frases, poemas e reflexões são livres, soltos, voláteis.
Sou eu um artista? Não! Artistas são diferentes! Não sei explicar, não sei como é! Assim sendo, considero-me uma sombra. É! uma sombra, um reflexo, sei lá, algo que não é, não foi, está sendo, pronto para desabrochar, pronto para desdobrar-se de si mesmo, como faz a flor, a borboleta e o próprio deus. Desculpe as analogias, elas são pobres, mas assim mesmo, são reflexos de meu ser, são minhas filhas, são meus dedos, meus olhos, meus pensamentos.
Mas um ano chega e logo ele se vai e deixará um legado qualquer. Não me preocupo mais com o vir a ser. Agradeço as boas poesias de verdadeiros artistas que me ensinam todos os dias como devemos levar a vida. Melhor dizendo vivendo a vida. Levar soa como algo castigado, duro e fútil. Levar a vida seria um peso, um carma. Melhor vive-la. Viver é sinônimo de existir e a própria existência é um grande mistério e uma grande maravilha. Vida deveria ser sinônimo de liberdade também. Sem leveza, sem liberdade, a vida se torna pesada, rude e assim deixamos de existir e passamos a ser um encosto, um peso, uma ilusão. Viver então é minha mensagem para esse novo ano. Viver com liberdade. Você é seu mundo. Entendam isso como quiser, mas peço que reflitam para que não me tomem por egoísta ou egocêntrico. Não tenho mais mensagem a dar, pouco a pouco elas vão me deixando e eu vou ficando mais leve. Não tenho nada a ensinar, sou aprendiz e quero viver. Ainda não consegui tal façanha. Ninguém que eu conheço conseguiu. Raros e loucos foram os que tomaram nota da frase “você é seu mundo” e conseguiram viver, existir, voar, enfim, se libertar. Esses não nos dizem nada, se calam. Nada há nada para dizer. Não há mais espaço para novas filosofias. Nem as velhas, se quer, ainda foram compreendidas. Não há mais lugar para ensinamentos, eles jamais foram alcançados. Agora é uma nova época, um novo pensar, um novo olhar. Não esperemos mudanças bruscas. Elas também não existem. Esperem mudanças, elas virão gradualmente, suavemente. Virá acanhada, no começo, tomara fôlego, e transformará toda a existência. É uma nova vida, é uma singela mudança. Não terá mais filosofias, não virá mais religião, não existirão sequer ensinamentos. Não haverá professores, nem doutores, nem mesmo haverá fantoches. Não haverá política, sem governantes, sem reis, xeiques, sutões, usineiros, bandidos, assassinos, prefeitos, médicos, nada, nada...
Se considerares essas palavras vazias ou até mesmo sem nexo, presenciará os ventos que soprarão diferente. Serão ventos novos, um ar puro que jamais sentiu em sua falsa vida. Viverás finalmente, porque se libertará das correntes. Elas nos prendem duramente. São correntes tão fortes como aço. Mas são correntes invisíveis, elas existem apenas em nosso ser. Sendo assim, elas não nos deixam viver e trancam-nos na caverna de Platão.
Pense bem, o que falo não é anarquia, tampouco o sonhado comunismo. Não é também espiritismo ou nova religião. Pense bem, é apenas uma frase que desejo de tudo isso. A essa altura não carece mais repeti-la, eu mesmo já me canso dela. Vou-me embora desse texto, ele já está cheio de palavras, palavras e muitas palavras. Antigas palavras, antigo alfabeto, já vão dando teu adeus, nem tu resistiras os ventos dessa mudança.
DAVID (1/10).

UMA HISTÓRIA PARA CONTAR

Para não se esquecer da essência da vida, devemos observar, comparar, refletir e reproduzir o que aprendemos. Sobretudo, devemos observar a natureza, obra-prima da criação divina.
As observações no mundo atual parecem estar cessando. Devemos experimentar reaviva-las novamente. A natureza observada é todo nosso ensinamento, mas, não damos crédito a isso.
Planejar é construir mentalmente uma obra de idéias. As idéias podem vir a ser uma intenção, uma intenção transformar-se em ação e, finalmente, desta florescer uma criação. Assim, observar a natureza é aprender a obrar idéias, novas idéias que a natureza nos concede gratuitamente, pois também, fazemos e somos parte dela. Observação, aprendizado, planejamento, construção de idéias, poder de ação moldado por uma intenção e finalmente a criação que flameja do fenômeno natural. Tudo é obra e faz parte de um todo incessante e pulsador. Somos ligados a tudo, interdependentes de uma suprema energia regente; a Deus. Devemos fazer parte de Deus, respeitando assim, suas obras, pois, são divinas. Divinas obras arquitetadas pelo mestre universal. Aprender-mos nos com suas obras e implantar no mundo novas idéias, trazidas a tona pela observação da natureza, como faziam e fazem as populações que a muito a respeitam.
Temos uma história para contar se começarmos a agir, a fazer, a obrar. Entender a natureza e assim ser mais perceptíveis aos fenômenos naturais que são universais. Temos o olhar, temos a visão, observação, o reparo e o entendimento. Sejamos então parte e comunhão do todo, sejamos obreiros, aprendendo e ensinando através das obras divinas. “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara” (Livro dos conselhos).

David (1/10).

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

eis que chega o novo ano...

O novo ano chega,
não é fácil começar mais um ano,
parece que tudo começou exatamente como 2009 terminou...

Eis a minha reflexão...

Nada será como antes,
assim dizia o poeta, certo?

Assim também espero eu,
inocente e sem saber direito pra onde ir,
pra onde guiar meu cavalo...

Acho que assim,
desse jeito tranquilo e sem saber pra onde vou,
talvez chegue num espaço, num lugar, onde não imaginaria sozinho.

Estou agora na companhia de queridos.
Amigos reais, daqueles antigos e fortes.
Daqueles que a gente não pensa nunca em deixar!
Estou agora envolto de seres incríveis.
Seres daqueles que são raros de se encontrar,
e que jamais se quer abandonar!

Estou feliz hoje, aqui e agora...

Comecei um ano sem saber pra onde ir,
Sem saber o que fazer...

Talvez essa companhia me dê um norte,
um caminho.

Preciso disso talvez!

Mas antes de qualquer coisa.
sei que estou bem guardado,
bem acompanhado,
cheio de amigos!

Vamos lá,
um ano me espera, na verdade espera a todos nós...
Vamos ver no que dá!

Há de ser algo bom...

2009 já foi pobre demais,

não há o que se deva repetir...

Encontros para a eternida!

Num raro momento de encontro,
as coisas ficam mais fáceis quando os amigos estão ao redor.

Hoje é noite de diversão, de música, aliás, de MPB e reflexão!

Obrigado meus amigos!

Presentes: Eu, David, Sue, Ciro e Ju (uma lenda)!

Beijo do Lu!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Oriente

O sol já nasceu. Olho com a ponta de meus olhos o vermelho fogo que invade os céus. Como um pássaro levanto vôo, igual a uma águia plaino sobre o ar e vejo os homens. Observo-os com os olhos de uma rapina e rio deles como ri a boca de uma hiena. Gracejo dos homens e das mulheres, zombo dos velhos e das crianças, acho graça no vadio cachorro que atravessa a rua sem ser atropelado. Também fico triste por eles. Dizem por aí, os sábios talvez, que o próximo passo da felicidade é a tristeza consciente. E eu sei lá o que seja esse tipo de tristeza, para mim ela é sempre dor, imperceptível e inconsciente.
Hoje acordei desse breve sonho e disse a mim mesmo que continuarei a sonhar amanhã. Sonhar é bom, renova o espírito e limpa à alma, é como um mergulho no rio e um banho de chuva ao mesmo tempo. É irreal, porém verdadeiro, é agradável embora perigoso. O sonho por vezes se torna em pesadelo e temos assim que nos vigiar. Dentro de nosso corpo habitam diversos espíritos que chamamos, por falta de sapiência, de humor. Esses distintos seres podem vir à tona de nossa consciência ou enraizar-se nas suas profundezas. Depende do uso que você faz deles.
Tua personalidade é o espírito primeiro, mais consciente de si mesmo. Quanto mais consciência você tem de seu ser, mais aflora seus outros espíritos. Para essas pessoas criativas damos o nome de artistas. Nunca se sabe quando eles falam a verdade, talvez penso eu, não haja verdade para os artistas, a não ser em seus próprios mundos, fantasiosos e cheios de personagens que eles mesmos criaram. Artistas! Esse é o nome que oferecemos a esses homens e mulheres que sabem lidar com seus espíritos. Oferecem a eles uma única casa, seu corpo, e diversos mundos que é sua imaginação. O problema em ser um artista seja ele poeta ou músico, pintor ou escritor é que em algumas ocasiões suas criações (espíritos) se tornam mais interessantes que eles próprios.
Deixando artistas de lado, gosto de falar em sonhos e por vezes pesadelos. Um é oposto do outro como o dia e a noite, apesar de ambos serem igualmente conscientes e inconscientes. Assim como na vida, trazemos para nosso sentido o que bem entendemos e isso se chama livre arbítrio. Agimos porque queremos, mesmo que em algumas ocasiões essa ação seja contra nossas vontades. É como sonho que se torna pesadelo, indesejável momento pedido por nós!
Essa noite sonhava que era um Jaguar, uma fera enorme toda negra perdida na noite. Eu era como o próprio filho da noite, escuro, invisível, misterioso e tão notável. Meus olhos eram como estrelas, amarelados, brilhantes, admiráveis e ao mesmo tempo observadores. Observava tudo, o sussurro do vento, a canção das arvores e o suspirar dos animais que entravam na viagem do sono. Enquanto todos no bosque dormiam, apenas eu, um enorme Jaguar estava desperto e disposto. Enquanto todos se aventuravam no reino da fantasia eu construía meu próprio mundo, solitário como um felino deve ser. Por ultimo nessa linda noite sentei sobre um enorme rochedo que estava acima de tudo e de todos, era incrivelmente uma montanha de pedra. Lá nem mesmo os símios podiam escalar, acima do maior carvalho, acima da mais alta palmeira, onde se podia do topo enxergar as nuvens de cima. Nesse rochedo onde apenas os Condors podiam sobrevoar e quem sabe a imaginação de um ou dois homens durante o sono eram capazes de adentrar, que eu, uma solitária fera sentei.
Soltei um rugido estrondoso, tão alto que ainda sim ninguém na floresta pode ouvir. Nesse momento, sobre o oriente, o maior de todos entre nós da natureza surgiu suspenso no ar. Tudo gravitava a seu redor, nada era maior que ele. Despertou e sussurrou como se dissesse: Não devo nada a ninguém e de mim o dia nasce e tenho o poder de acordar todas as criaturas desse mundo. Nesse instante quando o sol pintou o céu de vermelho, eu, assim como o astro maior despertei. Em forma de homem acordei de um sono profundo tendo em mente um único objetivo. Voltar a esse mundo maravilhoso todos os dias de minha rara vida, para depois acordar e novamente ter o mesmo desejo.

(David Lugli - 2009)

Entre a verdade e o objeto

Aqui venho narrar em breves palavras o obvio, porém a verdade! O problema de observar as situações, os momentos, suas características e mudanças são que suas verdades pessoais aos poucos e no decorrer do tempo vão se esvaecendo até se tornarem fumaça. Uma fumaça incontrolavelmente sem forma, a primeiro momento, que a sabor do vento vai se modelando e se transformando em novas verdades.
É assim que uma verdade se estabelece, se transforma, remodela-se e se restabelece. Todas as verdades existem para serem transformadas, mas ela no presente se fixa no pensamento humano coordenando e direcionando os nossos anseios e pensamentos.
Ao contrario das verdades que são abstratas e aparentemente mutáveis temos os objetos, que são concretos em essência e aparentemente imutáveis. São eles, exatamente, a forma de quem os criou, ou melhor, são a própria materialidade do pensamento de quem os fez. Os objetos são imutáveis porque são pensamentos congelados, materializados e cheios de intencionalidade e desejos. Ao mesmo tempo são simbólicos e funcionais, são os testemunhos de nossa existência.
O objeto a primeiro momento foi criado para dar a luz ao pensamento no sentido literal da expressão. Tendo colaborado em sua função primogênita servirá de legado para o futuro. Outras pessoas o verão de formas e simbologia diferenciadas daquela na qual foi primeiramente criado. Muitos olhares irão interpretá-los, mas nenhum irá decifrar seus segredos pessoais ocultos.
Os olhares mudam, junto a eles as interpretações, mudando assim as próprias verdades, o que era ontem hoje não é mais, o belo e o religioso do passado se transforma em exótico no presente. Meu próprio pensamento não me deixa mentir, passou, transformou-se desde que pincelei as primeiras palavras desse texto, mas o objeto, esse continuo estático, justo e fiel, representa calado e discreto estritamente o pensamento de seu genitor.



DAVID
2008